
Era como se eu estivesse tendo um déja vu, era um típico feriado com aquele vento e aquele som de vazio e solidão pelas ruas do Centro. Tudo aquilo estava me levando a pensar em várias coisas, eram típicos pensamentos simples e sem muitas pretensões filosóficas, mas o principal era o pensamento na possibilidade de me suicidar, pois as coisas estavam tomando proporções de desgosto e de um linear e contínuo dissabor pela vida incomensurável.
As conseqüências começaram a pipocar na minha cabeça, a primeira foi a, em que estado ficaria o
meu grande amor, Manoela, que eu tanto estimava, mas que não conseguia fazê-la inteiramente feliz e também, como sobreviveria o meu cãozinho, o alegre e felpudo Miguelangelo, que eu muitas vezes, vivo, já o deixara sem a sua ração matinal.
Meu Chevette também passou pela minha cabeça assim como também o meu quarto que eu alugara a mais de quatro anos nos fundos da casa da Dona Érica. Mas, o que talvez mais tomou conta dos meus pensamentos naquele momento, foi o estofamento do Chevette, pois eu havia pago uma “nota” neles, e morrer logo após uma compra tão significativa pra mim, seria muito ruim, eu precisava estar mais mal, mais triste, mais “down”.
Quando comecei a refletir no que eu estava ‘pensando’ durante aquela minha caminhada pelo Centro da cidade, me peguei pensado em novos déja vu, agora minha mente se ocupava com o contrapeso, o “pró” da minha eventual decisão por encerrar minha “carreira vital”, os principais pontos, ficaram por conta do não recebimento do 13º salário, ocasionando uma manhã de natal sem um tostão no bolso, um ventilador que no dia 23 último tinha parado de funcionar e o novo aumento da gasolina, que realmente iria me pesar no bolso, mas o pior mesmo era o “todo”, ou seja, uma vida com apenas quatro coisas que eu tinha como sendo minhas, sendo, Manoela, Miguelangelo, o Chevette e o quarto alugado.
Já os pontos contrários, que deveriam me impedir de cometer tal atentado, e que anteriormente eu havia pensado, como a dúvida de como ficariam o meu amor e o meu cãozinho sem a minha presença, começaram a se apagar dentro de mim.Comecei então a me alegrar e ficar realmente feliz, pois as coisas da minha vida que poderiam me impedir de cometer suicídio, estavam perdendo suas forças, e eu já começava a achar que esse deveria ser o dia, já que eu não estava mais tão condoído com a futura situação das coisas que eu tinha e que amava, ou supostamente amava.Aquilo foi me dando forças, eu começava agora a querer fazer coisas sem medir conseqüências, pois esse seria meu último dia, logo, eu deveria fazer algo rebelde e desafiador, algo que meu senso normal nunca havia me permitido durante a vida.
Meu primeiro ato naquela caminhada foi jogar um papel de chiclete na rua, isso foi libertário eu diria, logo em seguida atravessei a rua fora da faixa de segurança costurando alguns poucos carros e motos, quase os fazendo colidirem uns com os outros.Mais adiante havia dois moleques de uns 12 a 15 anos cada um, que brigavam se esbofeteando de verdade, em outros tempos eu iria correr para apartar aquela briga e lhes daria uma bronca tão grande que eles se envergonhariam, mas isso não aconteceu, pois aquele era um dia diferente, e eu então, gritei para ambos: - isso aí, quebra a cara dele!
Aquilo havia me deixado satisfeito, parecia que estava conseguindo transgredir algumas regras criadas pelos meus valores, quando por um descuido de um motorista que passava por aquelas ruas quase desérticas, o pneu do seu carro passou por uma possa de água gigantesca, me dando um banho de lama sensacional, na hora fiquei irritadíssimo, e ao contrário do que faria em outros dias, nesse eu xinguei aquele motorista com todo o estoque de impropérios possíveis, fazendo com que eu me sentisse leve, mesmo sujo com toda aquela lama.Foi quando o meu celular tocou, era Manoela, ligando do seu trabalho em pleno dia 25 de dezembro. Manoela trabalhava como frentista em um posto de gasolina 24h, ela era uma guria linda, eu a adorava, tinha um sorriso perfeito, mesmo com o rosto que visivelmente marcava seu cansaço dos dias exaustivos no trabalho.
Ela era campeã de cantadas naquele posto, o que pra mim trazia orgulho ao invés de ciúmes. Ela me falava ao telefone que havia recebido uma gorjeta do patrão por estar trabalhando em pleno dia de natal, eram exatos 20 reais, e que ela queria me encontrar no final da tarde para juntos fazermos umas “comprinhas” com aquele dinheiro, a idéia de Manoela era de ir ao mercado que ficava na penúltima esquina da rua principal da cidade, pois seria o único aberto naquele dia, ela me detalhou tudo o que gostaria de comprar para nós, falou da nova ração sabor ‘bacon’ que lançaram e que o meu cão adoraria, falou em comprar um daqueles pinheirinhos que desodorizam o ar, para pendurar no espelho do meu Chevette e dar aquele cheirinho gostoso, ela também pensou no meu quarto, disse que gostaria de comprar um óleo de máquina, para colocar no motorzinho do meu ventilador, para que com sorte voltasse a funcionar.
E, ao final da ligação de exatos 3m23ss, ela me falou que adoraria comprar um saquinho daqueles pães de queijo, feitos na hora nos balcões de padaria do supermercado, como também um delicioso pote de sorvete para que juntos os deliciássemos vendo um filme que passaria a noite na Globo, depois da novela. Encerrando a ligação, Manoela afirmou que me amava de maneira sufocante e que não conseguiria viver sem mim. É, hoje eu posso te dizer, aqueles vinte reais, salvaram a minha vida!
06/03/2006
As conseqüências começaram a pipocar na minha cabeça, a primeira foi a, em que estado ficaria o
meu grande amor, Manoela, que eu tanto estimava, mas que não conseguia fazê-la inteiramente feliz e também, como sobreviveria o meu cãozinho, o alegre e felpudo Miguelangelo, que eu muitas vezes, vivo, já o deixara sem a sua ração matinal.
Meu Chevette também passou pela minha cabeça assim como também o meu quarto que eu alugara a mais de quatro anos nos fundos da casa da Dona Érica. Mas, o que talvez mais tomou conta dos meus pensamentos naquele momento, foi o estofamento do Chevette, pois eu havia pago uma “nota” neles, e morrer logo após uma compra tão significativa pra mim, seria muito ruim, eu precisava estar mais mal, mais triste, mais “down”.
Quando comecei a refletir no que eu estava ‘pensando’ durante aquela minha caminhada pelo Centro da cidade, me peguei pensado em novos déja vu, agora minha mente se ocupava com o contrapeso, o “pró” da minha eventual decisão por encerrar minha “carreira vital”, os principais pontos, ficaram por conta do não recebimento do 13º salário, ocasionando uma manhã de natal sem um tostão no bolso, um ventilador que no dia 23 último tinha parado de funcionar e o novo aumento da gasolina, que realmente iria me pesar no bolso, mas o pior mesmo era o “todo”, ou seja, uma vida com apenas quatro coisas que eu tinha como sendo minhas, sendo, Manoela, Miguelangelo, o Chevette e o quarto alugado.
Já os pontos contrários, que deveriam me impedir de cometer tal atentado, e que anteriormente eu havia pensado, como a dúvida de como ficariam o meu amor e o meu cãozinho sem a minha presença, começaram a se apagar dentro de mim.Comecei então a me alegrar e ficar realmente feliz, pois as coisas da minha vida que poderiam me impedir de cometer suicídio, estavam perdendo suas forças, e eu já começava a achar que esse deveria ser o dia, já que eu não estava mais tão condoído com a futura situação das coisas que eu tinha e que amava, ou supostamente amava.Aquilo foi me dando forças, eu começava agora a querer fazer coisas sem medir conseqüências, pois esse seria meu último dia, logo, eu deveria fazer algo rebelde e desafiador, algo que meu senso normal nunca havia me permitido durante a vida.
Meu primeiro ato naquela caminhada foi jogar um papel de chiclete na rua, isso foi libertário eu diria, logo em seguida atravessei a rua fora da faixa de segurança costurando alguns poucos carros e motos, quase os fazendo colidirem uns com os outros.Mais adiante havia dois moleques de uns 12 a 15 anos cada um, que brigavam se esbofeteando de verdade, em outros tempos eu iria correr para apartar aquela briga e lhes daria uma bronca tão grande que eles se envergonhariam, mas isso não aconteceu, pois aquele era um dia diferente, e eu então, gritei para ambos: - isso aí, quebra a cara dele!
Aquilo havia me deixado satisfeito, parecia que estava conseguindo transgredir algumas regras criadas pelos meus valores, quando por um descuido de um motorista que passava por aquelas ruas quase desérticas, o pneu do seu carro passou por uma possa de água gigantesca, me dando um banho de lama sensacional, na hora fiquei irritadíssimo, e ao contrário do que faria em outros dias, nesse eu xinguei aquele motorista com todo o estoque de impropérios possíveis, fazendo com que eu me sentisse leve, mesmo sujo com toda aquela lama.Foi quando o meu celular tocou, era Manoela, ligando do seu trabalho em pleno dia 25 de dezembro. Manoela trabalhava como frentista em um posto de gasolina 24h, ela era uma guria linda, eu a adorava, tinha um sorriso perfeito, mesmo com o rosto que visivelmente marcava seu cansaço dos dias exaustivos no trabalho.
Ela era campeã de cantadas naquele posto, o que pra mim trazia orgulho ao invés de ciúmes. Ela me falava ao telefone que havia recebido uma gorjeta do patrão por estar trabalhando em pleno dia de natal, eram exatos 20 reais, e que ela queria me encontrar no final da tarde para juntos fazermos umas “comprinhas” com aquele dinheiro, a idéia de Manoela era de ir ao mercado que ficava na penúltima esquina da rua principal da cidade, pois seria o único aberto naquele dia, ela me detalhou tudo o que gostaria de comprar para nós, falou da nova ração sabor ‘bacon’ que lançaram e que o meu cão adoraria, falou em comprar um daqueles pinheirinhos que desodorizam o ar, para pendurar no espelho do meu Chevette e dar aquele cheirinho gostoso, ela também pensou no meu quarto, disse que gostaria de comprar um óleo de máquina, para colocar no motorzinho do meu ventilador, para que com sorte voltasse a funcionar.
E, ao final da ligação de exatos 3m23ss, ela me falou que adoraria comprar um saquinho daqueles pães de queijo, feitos na hora nos balcões de padaria do supermercado, como também um delicioso pote de sorvete para que juntos os deliciássemos vendo um filme que passaria a noite na Globo, depois da novela. Encerrando a ligação, Manoela afirmou que me amava de maneira sufocante e que não conseguiria viver sem mim. É, hoje eu posso te dizer, aqueles vinte reais, salvaram a minha vida!
06/03/2006
Um comentário:
letras daa last ?????????
a foi mau não era pra comentar ...
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